Pensando sobre o tema
O Ministério da Educação, através de sua Estrutura Regimental, Decreto n.º 4.791, de 22 de julho de 2003, assegura a melhoria da qualidade da aprendizagem na área do Ensino Fundamental, tendo a escola como foco principal da sua atuação. Além disso, o artigo 8º do Decreto, aborda, outras questões para o desenvolvimento e funcionamento da Educação Infantil e Fundamental, buscando solucionar problemas e objetivando a garantia de igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola de todas as crianças, citando, também, sobre a melhoria da qualidade do ensino fundamental.
Encontramos, na LDBEN n.º 9.394/96, no seu artigo 1º, a concepção de educação, conforme segue:
A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
Dessa maneira, é possível verificar que a escola é um polo gerador e irradiador de conhecimento e cultura, e que além desse espaço, a Educação está presente em tudo que envolve a sociedade, ou seja, em todos os processos de vivência, é possível ensinar ou aprender sobre algo.
Diante disso, quando pensamos no Ensino Fundamental de nove anos, verificamos que a responsabilidade para o sucesso ou insucesso dessa ampliação é de todos, ou seja, de todas as instâncias do Governo, do Ministério da Educação, das Secretarias Estaduais e Municipais e da Sociedade Civil.
A Educação de qualidade só acontecerá, quando todos assumirem suas responsabilidades perante ela.
Antes de analisarmos as vantagens e desvantagens do ensino fundamental de nove anos, precisamos conhecer a criança de seis anos que estará na escola. A criança é um ser total, com seus aspectos físicos, emocionais, afetivo, cognitivo-linguístico e sociais.
No documento – Ensino Fundamental de nove anos (Orientações Gerais) – encontramos:
Ao reconhecer as crianças como seres íntegros que aprendem a ser e a conviver consigo mesmas, com as demais e com o meio ambiente de maneira articulada e gradual, as propostas pedagógicas (...) devem buscar a interação entre as diversas áreas de conhecimento e aspectos da vida cidadã como conteúdos básicos para a constituição de conhecimento e valores. Dessa maneira, os conhecimentos sobre espaço, tempo, comunicação, expressão, a natureza e as pessoas devem estar articulados com os cuidados e a educação para a saúde, a sexualidade, a vida familiar e social, o meio ambiente, a cultura, as linguagens, o trabalho, o lazer, a ciência e a tecnologia.
Observamos, então, que o processo de aprendizagem precisa acontecer em um ambiente lúdico, de modo prazeroso, através de brincadeiras, jogos, danças, contos, etc., de maneira que alcance as crianças de seis anos, que está na fase da imaginação, curiosidade, movimento e o desejo de aprender aliados à sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio do brincar.
Por isso, essa mudança no ensino fundamental pede uma nova estrutura e podemos citar que oportuniza um tempo mais longo para as aprendizagens de alfabetização e letramento, um período maior de convívio escolar, oferecendo para um número maior de crianças a oportunidade de ingressar para a escola e desfrutar desse ambiente.
Será que já conseguimos verificar as mudanças propostas? O ensino fundamental de nove anos atinge os objetivos propostos pelos seus documentos? Realmente é para refletirmos e analisarmos com muito critério.
A educação deve oferecer para as crianças e adolescentes a oportunidade de desenvolvimento pessoal e social, conhecimento cultural, formação integral, buscando o cidadão conhecedor de seus direitos e deveres perante a sociedade, com capacidade crítica de análise e postura de transformação.
Sabemos que nossos sistemas não auxiliam como deveriam a educação, começamos, então, as desvantagens desse ensino, e que precisamos de organização e estrutura sólida para propiciar o ensino de qualidade, caso contrário, temos, somente, um ano a mais de escola e continuaremos com crianças apresentando dificuldades de aprendizagem e analfabetismo funcional, seja nos primeiros ou últimos anos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e assim até finalizarem seus estudos.
A educação pede um novo jeito de se pensar sobre ela e realizá-la, o que, muitas vezes, não acontece em nosso país, as crianças representam apenas números ou índices a seres alcançados. Observe a sala de aula, vamos para a prática diária, seja no sistema de progressão continuada, nas dificuldades de aprendizagem ou inclusões, alunos que precisam de um apoio diferenciado na sala de aula e apenas estão “ali colocados” sem um olhar crítico daqueles que comandam o sistema educacional.
Para que o Ensino Fundamental de nove anos ou para que a Educação funcione, dentro dos seus objetivos, é preciso mudança e transformação, caso contrário, continuaremos vivenciando uma educação sem estrutura e de oportunidades para poucos.
Assim, observamos uma escola para poucos, com educação de qualidade para poucos, dentro de sistemas falhos que pensam em números e índices e com crianças sem condições de desenvolvimento de suas cidadanias ou crescimento pessoal, pois não são estimuladas a viverem de forma diferente e continuam reproduzindo o temos visto a tantos anos em nosso país.
Muito mais do que pensar no ensino de nove anos, é urgente transformar a nossa Educação.
Fonte: Portal Mec